Perdoar é uma daquelas tarefas que desejamos muito, desde que não seja eu a ir pedi-lo. Pedir perdão é dizer que errei e assumir o papel do culpado, mas esse nunca serve para nós, só para os outros.

O outro é sempre o culpado pelo meu erro. O outro nunca consegue enxergar o que queremos e com isto, estamos sempre com síndrome de Adão. O OUTRO. Adão se ausentou da culpa e nós ausentamos dela com a desculpa da razão.

A razão é algo que me incomoda muito, nos faz ignorantes e cegos. Diante dela, não conseguimos entender o outro e muito menos dividir culpas e erros.

O PERDÃO precisa se desvincular da razão e das desculpas, precisa nascer de um coração inteligente para que não sejam armazenadas angústias e feridas. Perdoar não é esquecer como se nada tivesse acontecido, mas é a disposição de deixar a ferida cicatrizar.

O PERDÃO é também a libertação da prisão que colocamos não no outro, mas em nossas emoções e em nós mesmos. Não há como ser feliz com a alma cheia das marcas de um passado mal resolvido e um presente sufocado.

O PERDÃO vai te livrar de doenças emocionais além de te mostrar um novo caminho. É por isso que perdoar é uma escolha e não obrigação. Quando se é obrigado, seu coração continua preso. Porém a escolha é um culto racional e que fala aos seus sentimentos que eles não comandam sua direção. Jesus nos perdoou de pecados. Porque nós não aceitamos perdoar o irmão?

O ser que tem a dívida perdoada tem que escolher perdoar. Uma esposa pode dizer que jamais vai perdoar a traição do marido, mas também jamais conhecerá a paz que poderia voltar ao seu lar; ela terá para toda vida a amargura como amiga e a desconfiança como companheira. O marido que imaginava a esposa perfeita e depois descobre suas escapulidas também pode dizer que isso é imperdoável, mas não saberá como é a reconquista depois de uma perda.

PERDOAR não é somente uma questão de ordem cristã, mas uma decisão íntima do seu coração em fazer a escolha certa na hora certa. Isso não tirará de você a dor, a tristeza e até a angústia do momento, mas o que não pode é te fazer entrar em depressão ou sair desconfiando de todos. Temos o perdão, mas para ser exercido e para nos trazer o conforto de uma amizade de volta ou um amor perdido no coração.

Decidi nunca carregar comigo fardos que possam me fazer olhar para o chão, e fazer o “nosso inimigo” usar dessa arma para me destruir. Este é um esforço que precisamos fazer todos os dias. Perdoa-me e desculpa-me são palavras que precisamos incorporar em nosso vocabulário, é um exercício praticado diariamente.

Perdoar é liberdade de alma e de coração, é mente fértil para o que realmente tem valor. Quantas vezes perdoar? Segundo Jesus, setenta vezes sete. Quanto dá isso? Digamos que fazendo as contas com o coração dará: menos alguns infartos, menos nervoso e um coração livre para amar sempre.

A conta é positiva!!!

Silvia Leticia Carrijo de Azevedo Sá
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