FADIGA DO TRABALHO

Eclesiastes 2:18-26

O trabalho nos dignifica e nos trás bens financeiros, emocionais, enfim nos dá a alegria da conquista. É ele também quem nos desperta toda manhã com força, vontade de vencer, nos ensina fidelidade e perseverança.

Mais uma vez esta noite eu estive em um HPS, HOSPITAL DE PRONTO SOCORRO. Ali o trabalho é árduo, intenso, cansativo e de certa forma triste, por causa da situação das pessoas que ali chegam. Dei uma volta depois de socorrer meu pai, conversei um pouco e ali estavam tantos trabalhadores que sofreram acidentes de trabalho. Andei um pouco mais e parei na ala dos cardíacos. Quantos homens deitados olhando para o teto e reclamando para si mesmo a falta de um celular e, que seus negócios estavam sem eles!!! Com poucas palavras o médico me disse:

- “Esta é a ala dos sem vida particular, estes são os escravos do trabalho. Ganham tudo que conseguem e na hora de parar para curtir a vida e os filhos assumirem as tarefas, se desesperam. Eles não sabem nada na vida além do trabalho.” E continua:

- Ali estão parados monitorados e desesperados, sem suas camisas e gravatas. Tubo no nariz e braços imóveis por agulhas nas veias. O ar de preocupação não lhes sai da face. Alguns saem dali caminhando e nem olham para trás, querem apenas esquecer o ocorrido. Outros saem em frias macas empurradas por homens e mulheres que contam mais um que se foi.

Então, descobri que são homens e mulheres incapazes de parar e ver que a vida vai além daquilo do que vêem. Não podemos os chamar apenas de trabalhadores, mas de escravos de si mesmos. Não conseguem enxergar o que ganham e o que perdem e, em alguns casos, não usufruem daquilo que já conquistou.

Um disse que depois do infarto vem um vazio, porque descobriu que investiu em tantas coisas menos na família.  Não sabe por onde os filhos andam e não conhece sua esposa porque não tinha tempo para lhe dar atenção. Outro chegou à conclusão que dos três casamentos não sobrou nenhum, apenas processos de pensão. Não há relacionamentos em casa. A casa até que fica cheia nas festas, mas o vazio da alma continua. A bebida é a única solução para um sono rápido nas madrugadas.

Salomão em sua luta e sabedoria trouxe uma reflexão sobre o trabalho e disse: “Desprezei todas as coisas pelas quais eu tanto me esforçara debaixo do sol, pois terei que deixá-las para aquele que me suceder.”(v.18) Salomão começou refletir sobre as frustrações do trabalho.

A doença vem e arranca o proveito, pois foi abusador do tempo. Pessoas trabalham preocupadas se alguém saberá substituí-las. Mas não se preocupa em ganhar tempo com aqueles que os substituirá porque o herdeiro não dá valor, disse um. Foi como me relacionei com ele é que me enfartou hoje, continuou o moço.

Os prazeres legítimos do trabalho não são gozados porque não descansam. As pessoas não conseguem acordar deste louco desejo de ter. Deus deseja que trabalhemos sim, pois é do suor do nosso trabalho que vamos comer. É do trabalho que adquirimos bens, mas é preciso curtir aquilo que o trabalho nos proporciona.

Alguém me disse algo, que de certa forma é triste:

- Eu trabalhei para que hoje meu filho pudesse gastar com seus amigos, para vê-lo pular na piscina que eu nunca pude mergulhei, mas que tanto sonhei. Mas eu não parei a tempo para tudo isso e me irrito ao vê-los usufruindo, pois eram meus sonhos. Eu não consegui enxergar isso e achei que daria tempo quando eu conseguisse parar.

- O carro antigo que gastei tanto para reforma, não me conhece. Passava pela garagem e dizia: ainda te curtirei bem. Hoje, dirigir já não é tão prazeroso. O meu motorista fica me ensinando como o carro é delicioso para dirigir. Ficava nervoso e achava aquilo frescura. Agora tenho vontade de pegar meu carro e dar uma volta apenas e conhecer aquilo que comprei.

“Que proveito tem um homem de todo o esforço e de toda a ansiedade com que trabalha debaixo do sol? Durante toda a sua vida, seu trabalho é pura dor e tristeza; mesmo à noite a sua mente não descansa. Isso também é absurdo. Para o homem não existe nada melhor do que comer, beber e encontrar prazer em seu trabalho. E vi que isso também vem da mão de Deus.” (22-24)

E voltando à mim, sai daquele hospital pela manhã com uma dor ruim no estômago e uma sensação de que tantos estão deixando a vida passar e o melhor dela ficando para trás. Ali, no meio deles ficou uma lição, se aprendida não sei, mas a lição foi deixada: Que muitos são servos do dinheiro e não o dinheiro servindo-lhes.

Amo meu trabalho e devemos amá-lo, mas nunca sermos escravizados por ele a ponto de não mais termos família, diversão ou tempo para um papo jogado ao ar com risadas e delícias.

Deus, em Nome de Jesus ensine a tantos que eles são livres para viver. Ensine-os que o Senhor já pagou o preço por nós e não mais somos escravos de nada. Que saibam curtir tudo que ganharam de forma a produzir unidade na família e amor entre os cônjuges.

Até a próxima…

Silvia Letícia Carrijo de Azevedo Sá

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