– 30 de julho de 2011

No fundo da fazenda do meu avô passava um rio, onde brincávamos na infância e ele também era a preocupação de mães e pais que ali levavam os filhos. Corríamos todos para lá. Os maiores arriscavam mergulhos fantásticos, os mais experientes faziam estripulias para nós, os menores, que ficávamos “de boca aberta” de vontade de fazer o mesmo. A água limpa deixava ver os “lambaris” que ali habitavam e, eles eram tão acostumados com as crianças, que não sumiam quando entrávamos na água. Era um espaço de alegria e festa nas férias.

A pesca neste rio era outra diversão. Não pegávamos nada importante, apenas os bobos lambaris que não fugiam, então com uma peneira os levávamos para casa. Em volta dessa água havia areia o suficiente para deitarmos e correr descalços. Mas os anos se passaram e a mente humana sem pensar no amanhã resolveu desmatar o local.

O pasto tomou conta de toda área da fazenda e com isso a areia que antes era a parte bonita do local se tornou o pesadelo. Ela invadiu a fazenda com força e violência. Já cobriu casas, pastos e agora chegou ao rio. Hoje somente um filete teimoso e raso. O local mais fundo deste rio cobre o pé de uma criança. Não há mais peixe nem vida em volta. A beleza deu lugar a erosão e caminho de bebida de água de animais. O verde em volta se tornou capim e, a alegria das crianças desapareceu. Mergulho jamais poderá ser dado ali. Das árvores que existiam em volta, algumas foram cobertas, outras foram sufocadas pela areia. O volume de areia é tão grande que não tem mais como conter a não ser o reflorestamento da área, o que para os fazendeiros é impossível, já que para eles o local parado é perda de dinheiro. Eles não conseguem enxergar como faria diferença a beleza e a harmonia que existia antes, ou seja, no lugar de pasto a mata.

Eu sabia da irrigação artificial somente pela televisão porque lá não existia isso, era natural. Faziam-se filetes de água nas plantações e o rio fazia seu papel. Hoje não há mais plantações de arroz, feijão e nem de milho, porque não há água. Não é a terra que parou de dar seu fruto, mas o homem que interferiu em seu curso natural e o fez morrer.

Assim também estamos sendo invadidos pelo pecado. Desmatamos nossa comunhão com Jesus, sem percebermos que isso levará a erosão da mente e da alma. Em seguida vem uma avalanche de idéias pecaminosas atitudes destruidoras e, como consequência, somos soterrados. A água da vida que fluía em nós e, que com facilidade inundava os outros com a alegria, deu lugar a sequidão e a entulhos deixados pela fúria da areia pecaminosa. A areia é fina e aparentemente é apenas uma camada, mas quando se ajunta cobre, pesa e não há mais recurso humano fácil para resolver.

Voltar não é fácil porque o peso do pecado parece nos impedir de enxergar e de ver uma solução. Ficamos apenas na lembrança de como era boa a vida limpa e saudável. Mas o reflorestamento de matas pode resolver o problema deste rio que um dia passou naquele local e, em nossas vidas não é diferente. Reflorestar não é um trabalho fácil nem solitário. Reflorestar é um trabalho árduo, longo e precisamos de mãos dispostas e nos ajudar e nos serem guias e esforço.

Jesus ajude-nos sair desse emaranhado de confusão em que nos deixamos envolver. Retire de nós a areia que tão devagar começou a entrar em nossas mentes e quando demos por nós, já estávamos atolados, cobertos não mais por uma fina camada, mas pelo peso de toneladas que veio devagar e tomou lugar em nossos corações.

O rio pode voltar a fluir dentro de nós, mas um trabalho de dedicação precisará ser feito, trabalho este que só o Senhor poderá fazê-lo. O sangue de Cristo que invadirá nossas terras desmatadas e lhe fará renascer broto por broto, árvores por árvores. Ai, quando olharmos, a mata de nossos corações já estará povoada com alegria de cantos e a vida nascerá novamente em forma de rios, cabeceiras e frutos. Sem “água da vida” que é Jesus, o rio se seca, as folhas murcham e os frutos deixam de dar em seu tempo.

Silvia Letícia Carrijo de Azevedo Sá

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