FAZ CALAR MINHA ALMA
FAZ CALAR MINHA ALMA – 25/10/2009
Há momentos em que a vontade é de falar tudo que vem à mente. Vontade de deixar a alma limpa e ter a certeza que tudo que penso foi dito. Mas a grande armadilha das palavras está no fato de não sermos entendidos da forma como realmente queremos. Normalmente o que falamos não é o que expressamos e ai está pronta a armadilha das palavras e, como conseqüência, a prisão das nossas almas ao desespero, solidão e angústia.
É a língua que trás para fora aquilo que guardamos em nossos corações é ela que também nos coloca em maus lençóis. Quando se dá ouvido a alma aflita se faz loucuras, tudo isto na expectativa que saia de dentro de nós um alívio instantâneo. Nestas ocasiões temos um dia inteiro de lamentações e amargura, pois quando iramos, perdemos o controle próprio e não ferimos somente o próximo com nossas palavras, mas ferimos a nós mesmos.
Para podermos aprender a lidar com a língua e a alma precisamos aprender a lidar com nossas emoções, como o comando de uma embarcação. Um leme tão pequeno comandando algo tão grande!!! Um veículo se não for conduzido por alguém experiente e atencioso, toma sua própria direção e causa enormes danos tanto para quem o está conduzindo como para os outros que estão fora dele.
Assim somos nós quando damos lugar a nossa alma aflita e quando damos vazão aos sentimentos guardados e sufocados. Quando calamos nossa alma a língua torna-se serena. Mesmo que a alma grite por respostas difíceis, devemos dominá-la, faze-la calar. Por um momento esta atitude pode até causar dor física, mas teremos emoções curadas, pessoas sem respostas duras e paz interior. É um exercício difícil, mas recompensante durante sua caminhada.
Quebrantar a alma é deixá-la sobre domínio de Cristo, que também é como encontrará paz e tranquilidade. Com o espírito quebrantado nossa alma sentirá vontade do silêncio e dependência de Cristo.
O Salmista disse assim: “porque está abatida ô minha alma, porque está tão perturbada dentro de mim”.
Ele não estava dizendo para outra pessoa, mas para ele mesmo, conversando consigo a procura de resposta para que não saísse de seus lábios o que poderia deixá-lo em situação pior do que já se encontrava.
Ele se lembra de Deus e diz à sua alma que esperasse n’Ele, pois somente o Senhor o livraria da aflição. Se não se calasse, se não encontrasse em Deus resposta, o que viria seria pior. E continua ele: ”um abismo chama outro abismo”. Se estamos aflitos e com a alma angustiada, falando de qualquer forma e a qualquer pessoa, poderemos ficar em maus lençóis e encontraremos um abismo difícil para sair dele.
Já errei muito em dar ouvidos uma alma aflita. Respondi o chamado a altura e colhi frutos amargos com sementes que não puderam ser replantadas. Aprendi e ainda estou aprendendo que o melhor da resposta não é saber dá-la e sim saber calar a minha alma para que possa encontrar em mim mesma resposta suficiente para depois expor. Não é um simples exercício, muito menos é fácil, principalmente quando convivemos com pessoas com os chamados “estopins curtos”. Queremos logo dar o troco e sairmos dali lavados, mas é engano. O silêncio da alma normalmente nos amarga a boca e causa dor no estômago. Mas a alma silenciada vai evitar situações constrangedoras e brigas sequentes.
Somente Deus em Cristo é o nosso alívio nestes momentos. Devemos pedir a Deus que nos ensine calar a alma para que nossa língua aprenda a ficar quieta, para que possamos acalmar ânimos e evitar feridas. Não é o falar que nos fará vencer, o silêncio poderá falar muito mais. A resposta doce vai desviar o furor do ouvinte e fará com que nós entendamos melhor e o nosso dialogo fluirá.
Nós casados deveríamos aprender isso antes que nos uníssemos, somos quem mais ofende o próximo. Devido a liberdade, achamos que podemos despejar sobre o outro a alma ferida e inquieta. O diálogo fica difícil e logo achamos que não tem mais conserto.
Aquieta-te ô m’alma e espera em Deus, Ele será minha resposta nos momentos de aflição, de angústia e de ofensas (neste último momento, não somos merecedores, mas ainda sim Deus nos responde). Não será por nossa própria força e sim por Cristo, Ele será nossa justifica e razão. Faz-me calar Senhor, para que Tu possas falar por mim. Não agir em momentos em que eu queira esbravejar. Faça do meu silêncio a tua voz Senhor. Seja o meu socorro presente na hora da tribulação, na hora em que muitos querem que eu fale para poder usar das minhas palavras contra mim e me prejudicar. A alma aflita só fala do que o coração está cheio. Então, encha-me com a Tua presença para que meus lábios só falem daquilo que venha de Ti, Senhor.
Esperamos em ti, Senhor. Esta é a nossa oração hoje. Quando a semana começar precisaremos estar quietos para o que vier.
Até a próxima…
Silvia Letícia Carrijo de Azevedo Sá



