O QUE FAZER COM O QUE EU NÃO POSSO MUDAR
“Deus, conceda-me serenidade
para aceitar as coisas que não posso mudar…
Coragem para mudar as coisas que posso…
E sabedoria para discernir a diferença.”
Há situações em que não podemos mudar ou mesmo nada fazer, aquele momento em que nos sentimos inúteis, fracos e sem palavras de conforto ou confronto. O que queremos é voltar ao útero materno, porque lá é o lugar mais seguro do momento.
Me senti assim quando via meu casamento sair entre os dedos. Naqueles momentos, tudo que fizesse seria pior. Palavras não soavam mais como diálogo e sim como provocação. O silêncio parecia desprezo ao invés de pensamentos confusos. Um convite para um sermão mais parecia loucura, escrever naqueles instantes, pior ainda. Só pensava em como resolver essa situação, nada podia fazer naquele instante.
O meu barco estava afundando e eu lutava desesperadamente contra a maré, mas nada resolvia. As decisões foram tomadas e cada um então iria seguir seu caminho, mas como? Servíamos ao Senhor, não tínhamos outro Deus a não ser o Criador. Não servíamos a ninguém mais, a NÃO ser Jesus. Onde havíamos errado? O barco parecia ter afundado mesmo e em meio a esta semana angustiante e triste, somente um grito saiu de minha boca: Onde está Jesus? Era como se Ele não se importasse mais conosco. Onde estava em nossas vidas a promessa de sermos abençoados como família? Eu me perguntava: O que sou agora?
Não havia resposta, não havia mais o que fazer a não ser lutar para criar o filho sem o pai. E continuei:
Onde estava o amor que havia nos unido por tantos anos? Onde estava a paciência que já havia sido provada na saúde e na doença? Será que Deus não via nosso sofrimento? O silêncio de Deus doía mais que a própria situação que eu vivia. Aquele silêncio não era abandono, mas sim cuidado, um momento em que nós dois precisávamos parar e deixar as coisas se acalmarem.
Em um momento de exaustão, olhei para a aliança na gaveta e comecei a perguntar para Deus como iria fazer para educar meu filho. Continuei:
E as promessas que havíamos feito no Teu altar? Até que o telefone tocou e era o marido ou melhor, ex-marido, nem sabia como iria atender. Do outro lado as mesmas perguntas eram feitas e então começamos a enxergar que não podíamos fazer nada. Se Deus não entrasse na história ela acabaria afundada para sempre. Naquela noite nos falamos por longas horas, como não fazíamos há tantos meses. Começamos a nos reencontrar. Até um passear pelo zoológico fomos, almoçar juntos também. Os hábitos de casados começaram a retornar. Trocamos a comida, compramos o refrigerante preferido e passeamos a tarde toda.
Então, Deus em Cristo começou a agir. Nós paramos a discussão não porque não tínhamos o que discutir, mas porque o Espírito Santo de Deus começou a agir onde nós estávamos tentando fazer algo por nós mesmos. Éramos os mesmos, não havia condições de mudança em apenas uma semana, mas o nosso coração estava sendo moldado ao descobrirmos nossa incapacidade de ação.
Era como se Deus tivesse se ferido conosco e agora, juntos, iríamos encontrar a cura de nossas feridas. O que fizemos? Só aceitamos que nada poderíamos fazer por nosso casamento a não ser deixar nas Mãos Divinas. Somente Ele, o Senhor, saberia o que fazer e como fazer por nossa família.
Os dias se passaram e começamos a nos encontrar. Eram momentos de conversas sem agressões e sem interferências familiares. Não era um novo namoro, mas um momento de comunhão deixada para trás. As razões foram jogadas fora, novas esperanças começaram brotar em nossas vidas. Novas palavras surgiram em nossas conversas. As ofensas foram retiradas do diálogo. Não foi por livre e espontânea vontade, mas era Deus agindo em nós de uma forma fenomenal.
Quando abrimos mão de nossas razões e não eram poucas, quando nos desnudamos de nossas vontades, Deus entrou e fez a diferença. Para essa diferença ter se transformado em realidade como é, foi preciso ter aceitado que nós não podíamos mudar nada sem Jesus.
Foi preciso aceitar o fato de que não tínhamos ação para o casamento. Havíamos feito de tudo, mas Deus não desistiu de nós e não abriu mão da nossa família. O que Deus nos ensinou foi viver com o fato e encará-lo de frente sem medo de enxergar onde estávamos errando.
Então, quando Deus em Cristo entrou na história, nossa vida foi transformada. Os problemas do casamento não acabaram, pois eles são convivência, são diferenças que nós enfrentamos todos os dias. Mudamos nosso olhar e paramos de ver o que nos separava para podermos enxergar o que vale a pena viver. O amor que pensávamos ter acabado não havia acabado, ele apenas estava debaixo dos entulhos que fomos jogando.
Não discutimos a relação e muito menos partimos para outra como se fosse resolver tudo, mas nos perdoamos mutuamente e voltamos para nosso lar. Tivemos que voltar a conviver com as diferenças, mas sem deixá-las nos destruir, sem deixá-la destruir nossa fé.

Anos se passaram e hoje podemos comemorar mais e mais anos juntos porque aprendemos que sem Jesus dentro do nosso lar, NÃO DÁ. CASAR é muito FÁCIL, difícil é FICAR CASADO. A bênção maior é permanecer casados com qualidade e lutando por mais amor, mesmo em meio às lutas, às diferenças, a doença e a dor.
Aprendi uma lição nestes anos de casada que é: “Sejamos inteligentes, não gastemos energia e estômago com o que não podemos mudar. O que pode ser feito é entregar nas mãos de quem sabe como resolver. Simplesmente aceite! Você nada pode fazer, Jesus PODE, mas primeiro temos que tomar coragem de fazer uma entrega total de nossas e não somente das lutas de momento.
Existe algo muito maior do que a ruína. Jesus Cristo. Ele é MAIOR que sua decisão de divorciar-se. Ele é MAIOR que a paixão que move seu coração hoje. Ele é MAIOR que as confusões e as discussões que movem sua casa todos os dias. Ele é BEM MAIOR que qualquer dor. Jesus pode mudar tudo isso, pode trazer paz sua existência e ALEGRIA ao seu CASAMENTO, fazendo com que você tenha o desejo de conquistar todos os dias quem um dia você escolheu para dividir a vida.
Silvia Letícia Carrijo de Azevedo Sá
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