NO DIA DA ADVERSIDADE A QUEM CLAMAREI?
NO DIA DA ADVERSIDADE A QUEM CLAMAREI?
Habacuque é um daqueles profetas bíblicos conhecido como profeta menor, mas não menor em sua mensagem, pois ela nos remete a pensamentos diários e nos chama a refletir sobre a adversidade ou o dia da falta. É um dia que não esperamos chegar e muito menos estamos preparados para ele. Não o desejamos, nem pensamos nele e, se ficássemos pensando, deixaríamos de viver o hoje e perderíamos o melhor da vida. É necessário refletir sobre a adversidade de forma clara e não perturbadora, sem alardes e sem exageros de notícias.
A mensagem de Habacuque trata do clamor a Deus por causa das atitudes do povo. Ele observa ao redor e começa perguntar a Deus como ficará cada situação vista. “Até quando, Senhor, clamarei por socorro, sem que Tu ouças? Até quando gritarei a Ti: “Violência!” sem que tragas salvação?” (Habacuque 1:2).
Uma das intrigas de Habacuque era o SILÊNCIO de Deus, parecia que Ele não ouvia seu clamor, parecia que Ele não estava nem ai para sua prece. Ele enxergava o pecado do povo e via a situação em que se encontrava aquele povo idolatra e perverso e sentia que Deus não estava nem ai pra tudo ali. “Por que me fazes ver a injustiça, e contemplar a maldade? A destruição e a violência estão diante de mim; há luta e conflito por todo lado.”(v.3)
Segundo sua imaginação, a lei não estava apenas sendo abandonada pelos homens, mas parecia ter perdido seu valor e sua funcionalidade. Ele estava perplexo diante do “não mover de Deus”. Porque Deus lhe permitia ter visão de todas essas coisas e nada poder fazer? Como poderia ter acesso a tamanha violência e seu Deus nada fazer? “Por isso a lei se enfraquece e a justiça nunca prevalece. Os ímpios prejudicam os justos, e assim a justiça é pervertida.”(v.4)
As palavras do profeta tornam-se atuais, quando ele fala e Deus começa lhe responder no capítulo dois. E Deus então lhe fala assim: “Então o Senhor me respondeu: “Escreva claramente a visão em tábuas, para que se leia facilmente. Pois a visão aguarda um tempo designado; ela fala do fim, e não falhará ainda que demore, espere-a; porque ela certamente virá e não se atrasará. “Escreva: O ímpio está envaidecido; seus desejos não são bons; mas o justo viverá pela sua fidelidade, De fato, a riqueza é ilusória e o ímpio é arrogante e não descansa; ele é voraz como a sepultura e como a morte. Nunca se satisfaz; apanha para si todas as nações e ajunta para si todos os povos.”(2: 2-5)
Deus lhe diz: “Ai daqueles que ajuntam do que não é dele, do que não é lucro do seu trabalho honesto, porque isso estava levando o povo a bocarrota, levando uma nação a passar fome e outras necessidades básicas já que o dinheiro estava centrado em poucas mãos, mãos sujas e arrogantes. Ainda lembra que: Ai dos que estão diante de imagem como se este fosse Deus. De que vale uma imagem feita por um escultor? Ou um ídolo de metal que ensina mentiras? Pois aquele que o faz confia em sua própria criação, fazendo ídolos incapazes de falar. Ai daquele que diz à madeira: ‘Desperte!’ Ou à pedra sem vida: ‘Acorde!’ Poderá o ídolo dar orientação? Está coberto de ouro e prata, mas não respira. O Senhor, porém, está em seu Santo Templo; diante Dele fique em silêncio toda a terra”.”(2:18-20)
Estas adversidades do tempo de Habacuque nos parecem atuais. Estamos vivendo dias parecidos, onde poucos ganham e muitos passam necessidades. Será que Jesus está ao lado de Deus e não vê tamanha luta no meio de seu povo? Isso nos faz pensar no que será de nossa terra o que será de nós em meio a tantos acontecimentos.
Porém, Deus não está em silêncio e muito menos Jesus morreu inutilmente. Não podemos deixar de lembrar que a adversidade virá, pois estamos vivendo momentos de pouca fé no Deus verdadeiro e estamos vivendo a fase de deuses espalhados em nosso meio. Surgem deuses de todo lado. Tem deuses para todo gosto e desejo, até o próprio homem está se denominado deus para poder alimentar seus próprios vazios interiores.
Quando Deus responde a Habacuque, ele treme: “Ouvi isso, e o meu íntimo estremeceu, meus lábios tremeram; os meus ossos desfaleceram; minhas pernas vacilavam. Tranqüilo esperarei o dia da desgraça, que virá sobre o povo que nos ataca.”(3:16)
Então, o que faremos como cristãos diante do que temos visto e ouvido? Desanimar? Entrar na dança e aceitar tudo como está?
Não! De forma alguma podemos desanimar, pois Deus em Cristo nos ouvirá e nosso clamor não será jogado fora, mas ficará com Cristo até o dia da Sua justiça ser derramada sobre a humanidade. Ele pegará muitos de nós de surpresa, porque estamos dispersos diante de deuses de madeira de barro e da ganância.
As últimas palavras do profeta me deixam pensativa! As deixarei para nossa reflexão nestes dias de tribulação e aparente silêncio divino. Ele nos faz olhar para vida não como algo gratuito, daí o motivo de não ser vivida de qualquer forma. Foi-nos dada indiretamente uma pergunta: Que Deus estamos servindo e o que nos faz adorar este Deus?
O que te faz servir a Deus e o que te separa Dele? É uma pergunta que não podemos deixar de nos fazer sempre, porque a adversidade chegará a sua vida e na minha, assim como chegou ao povo daqueles dias. Ficam aqui as palavras de Habacuque para refletirmos sobre que tipo de cristãos estamos sendo, que vida estamos levando e onde está nossa esperança. “Mesmo não florescendo a figueira, e não havendo uvas nas videiras, mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos, ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação. O Senhor, o Soberano, é a minha força; ele faz os meus pés como os do cervo; faz-me andar em lugares altos.” (17-19) Venha o que vier minha fé não será abalada, pois eu sei em quem tenho crido! Somente em Cristo seremos salvos de tamanhas lutas e adversidades. Em Cristo, nossa esperança não será ilusão. Mesmo que aparentemente haja silêncio hoje, Ele se levantará de Seu Trono e nos responderá no tempo devido.
Senhor Jesus, quantas vezes a figueira falha em dar seu fruto em nossa vida. Quantas vezes o teu silêncio nos atormenta, não nos deixe parar de olhar para Ti, Senhor. O Senhor nos fará andar em lugares altos, mas este alto não é o que achamos ser. Ensina-nos a ver o que é o teu alto. Queremos, Senhor, nos alegrar em Ti não importando que dia seja e que vida nos esteja sendo oferecida. Hoje nossos olhos não conseguem ver o que é alto, mas esperamos em Ti para encontrar o Teu melhor para nossa vida.
Jesus, não nos deixe ficar imaginando coisas por causa do Teu silêncio. Ensina-nos a entender qual adversidade estamos passando, pois o Senhor não nos abandonará. O mundo não nos entende o Senhor, sim. Em Ti sempre teremos forças para vencer. Em Nome de Jesus venceremos sempre!
Até a próxima…
Silvia Letícia Carrijo de Azevedo Sá


