NÃO TEM CURA, QUEM DISSE?

A MULHER DO FLUXO DE SANGUE – 01/06/2010

“Considera-se, pois, mais fácil curar o corpo do que curar a alma.”
(São Tomás de Aquino)

“E estava ali certa mulher que havia doze anos vinha sofrendo de hemorragia e gastara tudo o que tinha com os médicos, mas ninguém pudera curá-la. Ela chegou por trás dele, tocou na borda de seu manto, e imediatamente cessou sua hemorragia. Lucas 8:43, 44 – 48

A televisão estava ligada e eu mal sabia o que passava nela, pois estava totalmente voltada para os meus pensamentos, até que uma repórter começou a entrevistar uma jovem bonita e com aparência cheia de vida, mas com um sorriso meio triste e forçado nos lábios. Esta moça disse: NÃO TEM CURA, vou aproveitar o que resta de vida e ser feliz, descobrir nesse tempo o que é bom e absorver o melhor de todos. Aquilo me chamou atenção e virei para a televisão com uma força enorme, queria poder entrar ali e dizer aquela moça, quem te falou isso? Onde leu essa história? Porque acreditou nela? Mas não tinha como, eu estava longe dela e não tinha como dizer que a verdade dela poderia ser diferente, como foi mudada a história de uma mulher que vivia há doze anos com uma hemorragia.

Ela já havia gasto tudo o que tinha para que sua saúde fosse restabelecida, ninguém mais poderia ajudar-la. Sua história havia tornado insuportável, ela havia se tornado anti-social, não passeava mais com as amigas. Quem queria estar ao lado dela? Ninguém mais. A vida desta jovem se resumiu em procurar a solução para sua doença. Um Parêntese: por mais que digamos a frase “vou aproveitar a vida”, ela não será real! Explico: Tratamento de doenças complicadas tem lá suas reações e nem sempre nos deixa de bom humor. É doloroso e intenso em certos momentos. A família se cansa, começa a irritação. Daí, incía-se o sentimento de estar pior que realmente estamos.

Essa mulher ficou sabendo por meio de outros, que passava pela redondeza um homem fazendo milagres. Posso até imaginar o que se passava na mente dela: como poderia ser bom estar curada e poder ter uma vida normal. Imagino tudo que deve ter passado em sua mente em poucos minutos de conversa.

Ela não perde tempo e sai ao encontro desse homem. Ele estava em meio à multidão e o povo o apertava de lá, de cá e ela continua na sua tentativa de chegar perto Dele. Tem aqui um complicador; ela era mulher, o que não era bom para estar no meio daquela multidão. Outra, tinha um fluxo de sangue continuo que a deixava suja. Mas ela não deve ter pensado em nada, só tinha em mente sua cura. Enfrentou a multidão e chegou perto desse homem.

O toque não foi apenas de uma em meio à multidão, mas um toque de FÉ, algo diferente que fez Jesus virar para trás e dizer: “alguém tocou em mim” Que isso, dizia seus companheiros! Olhe a multidão a sua volta! Te apertam de todos os lados e o Senhor ainda pergunta quem tocou? Só faltaram dizer: “está maluco rapaz?” Mas o respeito ficou a vista.

Jesus sentiu a importância de quem O havia tocado quando saiu Dele a cura. Ele virou, não para dizer que alguém lhe tinha encostado, mas porque este alguém foi procurar resposta e encontrou. A mulher, por sua vez, não se importou e logo disse a Ele: “eu o toquei, pois desejei este momento como algo de extrema importância.”

Ela saiu daquele lugar com sua vitória, com sua vida mudada. Ela nunca se conformou com sua doença, que já não era apenas do corpo, mas da alma. Aquela doença já havia feito com que sua vida se tornasse insuportável. Sua alma já suspirava por socorro. O coração dela já não suportava mais a situação. Sem a presença de Jesus não haveria cura para sua vida, não haveria alivio para sua alma. Mas ela teve coragem de se lançar a alguém de quem ela só havia ouvido falar.

Ela não se arriscou, mas investiu em uma solução, brigou por sua vitória, assim como muitos de nós doentes não conseguimos fazer. Queremos aproveitar o tempo que ainda nos resta como se este tempo fosse eterno. Queremos todos os remédios possíveis para a cura, mas o SENHOR da cura não queremos. Até desejamos tocar em Jesus e receber o alivio, mas não queremos lutar por isso. A nossa alma tem sofrido tanto por sermos egoístas, desejosos em apenas satisfazer o corpo, por deixarmos a alma vazia deste Deus da cura, de alegria e satisfação.

Vi cura não apenas para aquela moça na tevê, achando ela não ter cura para seu corpo, mas vi cura para mim e para você. Tem cura sim! Mas parece que eu e você não queremos. É tão mais fácil ficarmos reclamando, sendo os donos da dor da alma e do corpo ao invés de corremos riscos pela cura. Não investimos nela como a coisa mais importante para nós. No fundo sabemos a responsabilidade que teremos que assumir então, ficamos pessoas doentes dentro das igrejas, dentro de nossas casas como um monte de doentes ambulantes d’alma, buscando satisfazer a vida, sabe-se lá como. Bebemos, corremos, fazemos ginásticas, viajamos, falamos e fazemos tudo em demasia, mas nada trás a solução. Dizemos que queremos cura, mas não é a verdade de nossas atitudes. Ficamos satisfeitos apenas em fazermos tentativas frustradas pelo conteúdo de nossos corações.

Somente o sonho de Deus não morre por nós, Ele está sempre nos dizendo: “LEVANTA, Eu ainda estou te esperando.” Nós pensamos muito e não decidimos mudar de rumo. Qualquer frustração e mudamos de lado, pois achamos estar abandonados. Temos tantas ofertas de alegria, de prazer rápido, de divertimento e com a internet nos levando a todos os lugares sem reservas. Estamos cheios de doenças. Não nos libertamos das doenças do corpo e da alma, muito pelo contrário, elas nos invadem cada dia mais tirando a vida e o prazer oferecido por ela.

Se tivéssemos coragem de nos entregarmos sem reservas a Cristo, se corrêssemos em meio à multidão e o tocássemos, sentiríamos a cura sair Dele. Mas porque temos tanto medo de entregas verdadeiras, porque temos tanto medo de sermos verdade? Que Deus em Cristo nos conceda curas da alma, da mente e do nosso corpo para que possamos descobrir o verdadeiro sentido da vida, da alegria e do prazer de viver.

Silvia Letícia Carrijo de Azevedo Sá

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